Arquivos mensais: fevereiro 2014

SACERDOTE E INICIADO: CONFUSÃO DE CONCEITOS

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O conceito da palavra sacerdote é deturpado no momento em que um iniciado em Ifá ou em Orishá, acredita que basta ser consagrado e cumprir os dogmas do culto, que poderá no futuro ser um maestro de sua religião, no melhor dos casos construindo uma visão errônea de que o tempo, o estudo, ou mesmo a maturidade são o suficiente para a formação religiosa de um sacerdote, seja em Ifá, no Candomblé, ou na umbanda quando na verdade não é.

A vocação (aptidão natural) é um dom imprescindível para que nosso Ori compreenda de forma clara os desígnios do culto que professamos, sendo esta a base espiritual fundamental para o desenvolvimento sacerdotal de um indivíduo na religião (Osá Di, Obara Oyekun) e são poucos os que nascem com ela.

É de vital importância ter a consciência de que cada pessoa nasce com um destino, uma razão por estar nesse mundo e desta forma compreender que nascem pessoas predestinadas para serem médicos, professores, advogados, engenheiros e outras para serem sacerdotes etc (Ogbe Di), ou seja, viver de acordo com destino que a nós foi predestinado.
Em Iroso Oturara, Obatalá fez com que Ogun compreendesse que por mais que ele fosse consagrado em Ifá, ele seria mais útil à humanidade sendo construtor das ferramentas que trariam a evolução do mundo e ele faria história e seria imortal e imprescindível a todos, do que sendo Babalawó, livrando Ogun da frustração e do fracasso.

Esse Odú explica que por mais que uma pessoa tenha Orishá, ou Ifá consagrado (Babalawó) com muitos anos de iniciados e tenha recebido todos os poderes do universo, nenhum desses poderes ou consagrações (Kuanado, Olófin, 30 anos de consagrado, em Orishá ou Ifá) é o suficiente para transmitir um dom e um poder que não tenha nascido com a pessoa, ou seja, nada é capaz de transformar uma pessoa em Babalorixá, ou Babalawó se este não tenha nascido para tal, pois quem é sacerdote nasce com vocação de sacerdote, quem é Babalorixá nasce Babalorixá, os cerimoniais e os estudos são os degraus fundamentais para que este sacerdote tenha essa consciência da espiritualidade ao longo de sua formação.

YEWÁ E SHANGÓ

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Conta a história que Olófin (Deus) tinha várias filhas que eram seu orgulho, contudo, entre elas existia uma que era a menina de seus olhos e sua razão de ser, porque vivia orgulhoso dela.

Um dia Eshú escutou os elogios dispensados para essa jovem e se propôs que ele tocaria a honra dela, que assim Olófin se avergonharia da donzela. Assim as coisas se apresentaram diante do valente Shangó e em tom desafiantes, lhe interpelou, que como era possível que ele sendo o varão mais elegante do reino, não se havia conquistado Yewá.

ÓBA E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA O REINO NA TERRA

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Obatalá com sua voz de profundidades abordou Shangó: “Já é tempo de se casar Shangó. Não se preocupe que vou buscar uma Obini (mulher), para que te estabeleças e te tranquilizes”. Shangó, respeitoso, foi cabisbaixo, pois tinha que deixar a mulher que tanta ilusão e paixão lhe despertava: OYÁ.

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A escolhida por Obatalá era Óba, mulher culta, exótica, de grandes tranças negras como o carvão que brilhavam como lanternas na noite… Óba se encarregava de dar a seus irmãos orishás, todos os conhecimentos; era educadora por excelência e apaixonada em sua própria personalidade. Seu pai, Obatalá, sábio entre os sábios, disse: “Esta será a união perfeita, o mundo e nosso reino se beneficiarão até o fim da humanidade”. E todo o universo vibrou com os sons do festejo do dia em que Shangó e Óba uniram seus poderes e potências no matrimônio sagrado dos Orishás. Ela se torna assim a única esposa legítima de Shangó.

OSHÚN E O CAMINHO DA TERRA CHINA E O PORQUÊ A ESTEIRA É SAGRADA

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Nesse caminho foi onde Oshún teve que ir da terra Ayebu para a terra Imele para cumprir com Olófin e quando ia pelo caminho estava faminta e viu uma adié (galinha) com três jio jio (pintinhos), mas como não conseguiu pegar a galinha, pegou os dois pequenos e quando ia pegar o terceiro, ela o esmagou entre as mãos e o eyebale (sangue) caiu na chão e então ela pegou essa terra com sangue e guardou.

Oshún assou os jio jio e os ofereceu para Eshú para que este a acompanhasse, mas como ela não havia comido, Eshú que viu a galinha, a pegou e lhe deu como gratidão pela oferta. Depois que comeram, seguiram seu caminho e assim chegaram a um lugar onde tudo era lamacento. Quando foi passar, Eshú pegou um tronco e então subiram em cima dele e foi assim que conseguiram passar. Continuaram caminhando até chegar a um desfiladeiro e viram uma casa com um moinho muito bonito que caía aos pés de um rio e como Oshún estava cansada se acostou, enquanto Eshú cuidava para que nada a incomodasse.

ELEGBÁ (ELEGBARA) O GUARDIÃO

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ELEGBÁ é uma divindade criada por OLODUNMARÉ. Nasce com a natureza e se consagra com a natureza e todos os seus componentes, animais e plantas. ELEGBÁ é o ORIXÁ dos caminhos. Ele é quem guarda as chaves das portas, da prosperidade e da pobreza.

É ele que também guarda o ASHÉ que nos é dado. ELEGBÁ é o primeiro que chamamos quando necessitamos as portas e caminhos abertos. Algumas das oferendas que podemos dar a ELEGBÁ são: aguardentes, goiabas, doces, etc. ELEGBÁ é o primeiro que brinda sua manifestação em nossas vidas.

ORUNMILÁ CONQUISTA A OSHÚN

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A moça mais linda da região era Yeyé. Todos lhe diziam: “Case-se comigo?”, mas ela não respondia, sorria e caminhava com a graça nas cadeiras que só ela tem. Era tal a perseguição, que sua mãe disse um dia aos apaixonados: “Minha filha tem um nome secreto que ninguém conhece. Aquele que descobrir, será seu esposo”.

O ÊXITO EM IFÁ (ODÚS POSITIVOS, ODÚS NEGATIVOS, ODÚ PESSOAL)

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Não podemos nos deixar amedrontar pela fama negativa de certos Odús. Geralmente todos são de alguma maneira.

O objetivo desse comentário, para as novas gerações, é convidá-los a estudar junto aos seus padrinhos e investigar cada odú com profundidade em toda sua extensão. A primeira coisa que gostaria de conceituar é que os Odús de Ifá representam a origem e a evolução. O Odú de Ifá foi a forma em que Orunmilá guardou o processo de criação e evolução da matéria e organizou a informação sobre a matéria orgânica e inorgânica, como testemunha do grande processo de nascimento do Universo e da vida (Odú Ojuani Shobe).

Não se pode ver um Odú de Ifá como algo simples, ainda que as enciclopédias contenham poucas centenas de caminhos. Por exemplo, existem aproximadamente mais de mil caminhos (Patakis) por cada odú. Devemos estar conscientes (por isso, convidei todos a virem a investigar e estudar mais junto com aos seus padrinhos e conseguir a informação) que em cada um se registra a respeito do princípio e trajetória do Universo, dos planetas, da Terra, de vinda dos seres humanos para a Terra, dos animais, das plantas. Cada um enfoca o caminho dos seres humanos e o comportamento geral dos seres vivos, do Ori, das comunidades, dos povos, dos tabuleiros dos ebós, as medicinas de Ifá e os inshés.

A ESTEIRA

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Há muito objetos na nossa religião que tem a categoria de Sagrado. Um deles que é indispensável em qualquer atividade religiosa é a esteira e dela podemos narrar a história.

Quando ela quis vir à Terra, preocupada com algo que era totalmente desconhecido e sabendo que a condição humana é muitas vezes cruel, foi  buscar um bom presságio na casa dos Awós celestiais. Estes lhe previram largar existência e reconhecimento humano, pois aquele que pisasse com sapatos a esteira teria seu castigo e aquele que caminhasse descalço, receberia pela planta dos seus pés, bênçãos espirituais. Mas para conseguir todo o reconhecimento deveria fazer ebó. Recomendaram os Awós uma obra ou sacrifício que consistia em oferendas animais: um akukó (galo) para Eshú, akukó para Ogun, dois eyelé (pombas) para Obatalá Orishánlá e algumas pedras pesadas. A esteira realizou o seu ebó e baixou à Terra para fazer cumprir seu destino.

MATURIDADE SACERDOTAL

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MATURIDADE:
É a habilidade de suportar e receber críticas, rejeições, ofensas como também elogios e admiração das demais pessoas sem que as mesmas nos afetem, quer dizer: sem que nos desanime, deprima ou nos enalteça. Um líder espiritual maduro tem a habilidade de aguentar críticas, ofensas, traição, calúnia dos demais sem que isso o leve a depressão, desânimo ou a desertar do sacerdócio.
A maior prova de maturidade de um líder se observa quando o mesmo é criticado, rejeitado e mesmo assim reage com a paz com aqueles que o perseguem.

ORISHÁS GUERREIROS

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Os guerreiros são quatro: Eleguá (Elegbara), Ogun, Oshósi e Ozun. Eles formam o conjunto de Orishás que se recebe junto ou depois dos colares de fundamento e se entregam sempre quando a pessoa recebe sua “Mão de Orunmilá” das mãos de um Babalawó, neste caso também se recebe obrigatoriamente a sopeira onde vive nosso Orunmilá. Pode-se receber guerreiros sem a “Mão de Orunmilá” através dos Olorishás ou Obás Oriatés, Babalorishás, Iyalorishás, mantendo as mesmas funções. Compõem-se de um Eleguá, uma panelinha de ferro de três patas e um Ozun. Eleguá em seu pratinho, na panelinha de ferro se encontram dois Orishás que são Ogun e Oshósi juntos sempre e Ozun que é a peça metálica que geralmente tem um galinho em cima.