Arquivos mensais: abril 2014

OGAN, OGBON E OGBONI – OS GUARDIÃOS DE OBATALÁ

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Obatalá é um Orishá que descende diretamente de OLÓFIN e de OLODUMARÉ. É o criador da Terra e escultor dos seres humanos. A ele acompanham três Orishás guardiões.

O PACTO DE OLÓFIN COM ORISHAOKO

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No inicio do mundo ninguém trabalhava. Todo mundo vivia do pouco que OLÓFIN (DEUS) dava, como quando um pai tem vários filhos e todos vivem à custa dele. Porém, dentre àqueles filhos, havia um que se chama ORISHAOKO, que devido a necessidade que passava, se dedicou a trabalhar a terra, semear, produzir distintas classes de grãos para o alimento. OLÓFIN viu que ORISHAOKO trabalhava e era bom e que os demais vivam cansados e não tinham o que comer e morriam de inanição. Como OLÓFIN necessitava terminar sua obra, chamou ORISHAOKO e lhe disse: “Filho meu, dê um pouco de comida daquela que tu produz para os teus irmãos”.

E meus irmãos? O que darão em troca? Contestou ORISHAOKO. OLÓFIN disse: “Eles não têm nada”…

ORISHAOKO respondeu: “Eu trabalho e tenho”.

Então OLÓFIN disse: “Deixe-me ver uma de tuas mãos”.

IROKO

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Orishá maior que vive na copa da árvore da Ceiba. É um santo velho e harmonioso. Sua mulher é Aboman e sua irmã Ondó.

A Ceiba é uma árvore sagrada e muito venerada na religião Yorubá pelo mundo inclusive pelos chineses. É o tronco ou bastão de Olófin. Ao pé dele esteve enterrado Orunmilá.

Segundo alguns é um orishá´funfun e se fala com ele quando se está em frente a árvore. Pode se dizer que todos os Orishás vão até a Ceiba e que todos a adoram.

IROKO é o símbolo dos conhecimentos escondidos. Todos os Orishás e Oshas visitam a Ceiba, porque é ali onde se realizam as cerimônias.

Para IROKO é que se pede para ter um filho homem e para isso tem que suplicar a seus pés. É necessário cumprir com ele porque o seu castigo é implacável. Assenta-se IROKO através de OBATALÁ.

YAWÓ NO RIO

YAWÓ NO RIO

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Pataki

Orunmilá tinha um filho que se chamava IGBA OMI ODO, o qual era predileto de Oshún quem lhe dava os segredos do ashé dos Orishás. Este passava a maior parte do seu tempo nas águas do rio.

Um dia Orunmilá necessitou de água do rio para ganhar a guerra que tinha com ALESESI (espírito da água) e quando foi buscá-la viu IGBA OMI ODO morto à beira do rio. Entristecido e horrorizado com tal cena retornou a casa onde se consultou com Ifá e o oráculo o orientou a fazer um sacrifício em prol de reviver o espírito de IGBA OMI ODO,  já que neste concentrava o segredo do grande ashé de Oshún para as consagrações de todos que ingressariam no segredo dos Orishás e que o espirito de IGBA OMI ODO despertasse em cada YAWÓ o ashé do renascimento e da continuidade e assim seria em todas as gerações e todas as eras por determinação de Olodumaré.

ABATÁ A ESPOSA DE INLÉ

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INLÉ na Religião Tradicional Yorubá (Lukumi), está acompanhado por BOYUTO, ASAÓ, OTIN e ABATÁ, a divindade dos pântanos. ABATÁ normalmente se considera como companheira feminina e esposa de INLÉ.

Quando se assenta INLÉ através da cerimônia de consagração, também se assenta ABATÁ. Para ela se tem canções e orikis próprios, come com INLÉ e participa de todos seus sacrifícios.

Os Yorubás consideram que a família de INLÉ está formada por: ABÁTAN (sua esposa), IBOYUTO (BOYUTO, guardião de ambos), OTÍN (filha de ambos), JOBÍA (filho de ASIPELU, ajudante de INLÉ), LONGUN EDÉ ou LARO (senhor da medicina, filho de INLÉ com OXUM) e ASAÓ, que é o duplo espiritual de INLÉ.

AYAÓ – ORISHÁ IRMÃ DE OYÁ

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Ayaó é a irmã mais nova de Oyá, em alguns caminhos também dizem que é a irmã mais velha. Diz-se que é filha de Oduduwá e foi criada junto com Bromu. Tem pacto com Ozain e Iroko e por isso se diz que ela é o Orishá das bruxarias. Pode viver na selva ou em cima de Iroko, sempre no alto, pois se caracteriza como a Orishá das Nuvens…Outros escritos também dizem que ela vive dentro das raízes da Ceiba Sagrada. Ayaó foi quem deu a Oyá os segredos da Magia e do Misticismo. Seus segredos se guardam em uma sopeira que se mantém no alto, em uma casa de Omo Orishás que a recebe. Usualmente são os filhos de Oyá os que a recebem, embora haja signos (odús) onde pode acontecer que alguém necessite recebê-la. Aqueles que a possuem, a mantém em um livrinho atado ao teto do lugar com correntes.

Ayaó é amiga dos espiritistas e dos médiuns. Cuidadora da Saraza de Egun. Orishá das alturas. Ela foi quem subiu e deu a mesa à Oduduwá. Caracteriza-se como um Orishá do Deserto. Vive nos altos de Iroko e não deve baixar ao chão ou tocar o piso, por isso suas cerimônias se realizam na parte superior de uma mesa. Ela é um pequeno redemoinho e o olho da tempestade.

O EBÓ MILAGROSO

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A grande salvação de Ifá consiste em buscarmos entender nosso mundo pessoal através do Odú que foi revelado no Ita na iniciação. Os Patakis (histórias religiosas) contêm orientações particulares que apontam os acontecimentos específicos da vida cotidiana de um individuo como doenças, amores, trabalho, dinheiro, traição, inimigos, ganhos e perdas e a forma de solucioná-los. Tais informações nos leva a compreensão real do universo onde nos desenvolvemos e desta forma adquirimos a consciência de onde estamos e para onde estamos indo absorvendo o saber necessário e imprescindível para darmos os passos precisos para suplantarmos nossos obstáculos.
Disse Ifá em Odi Meji: “Somos cada um de nós um universo e uma personalidade distinta”.

É importante frisar que não há ebó, não há consagrações que nos leve a um patamar de vida que não merecemos e não lutamos para conquistar, mesmo porque a natureza atua em nossas vidas de acordo com nossos passos (esforços e merecimentos). Devemos fazer por onde para que tudo aconteça e ter a consciência do que somos e merecemos. É uma ignorância esperar que a vida e os deuses nos tragam benefícios que estão longe de nossa realidade.

A PACIÊNCIA É O PAI DO BOM CARÁTER

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ORUNMILÁ disse que para poder seguir seus caminhos tem que aprender a arte e a eficiência da perseverança.

Ele disse que as medicinas e preparados podem falar, mas a paciência é tão constante como a existência do céu e da Terra.

A paciência requer o domínio sobre si mesmo e a habilidade de resistir à tentação para poder vencer a maldade.

Se um é ofendido pela ação determinada dos demais, não se espera uma reação por meio de uma vingança, mas sim da espera pelo julgamento onde as divindades seguramente intervirão a favor da justiça.

Mas em qualquer caso, as pessoas estão expostas a se incomodarem e a querer se vingar o mais rápido possível, mas não se deve permitir que esse caráter irascível se estenda por mais de  uma noite.

O calor da água fervida não dura do anoitecer ao amanhecer.

 

Oluwó Otura Aira Ifá Ni L’Órun