APETEBI – IKOFÁ FUN: A INICIAÇÃO DA MULHER EM IFÁ

Ikofá fun é o nome dado a consagração que se realiza as mulheres que se iniciam em Ifá, e após os cerimoniais religiosos necessários para tal iniciação, passam a se chamar Apetebi Ni Orunmilá, que significa esposa de Orunmilá. Também é o grau mais alto que a mesma alcança dentro do culto.

O termo esposa de Orunmilá, refere-se à ligação espiritual que, a partir do momento de sua iniciação a mulher terá junto ao profeta, dando a mesma o direito de receber de Ifá os benefícios espirituais necessários, de acordo com suas necessidades espirituais, como por exemplo: a revelação do seu destino através de seu odu, os ebós específicos para vencer as adversidades de sua vida e assim, estabelecer a saúde, o equilíbrio financeiro, a felicidade, a realização e a paz familiar, a harmonia matrimonial e principalmente as orientações fundamentais para um convívio social e familiar feliz.

O Ikofá Fun é uma cerimônia que se realiza às mulheres, independentemente que a mesma seja esposa de um babalawó, como narra o odu Odi meyi, onde Oxum foi a primeira mulher a se iniciar nos segredo de Ikofá, o pataki abaixo nos afirma, categoricamente que Oxum no momento de sua iniciação, não era esposa de Orunmilá e sim tornou-se futuramente nos deixando claro e desfazendo mitos de que  a mulher para ser Apetebi tem de ser esposa de babalawo. Portanto, Oxum foi a primeira mulher a se iniciar, estabelecendo a partir de então o nascimento do cerimonial de Ikofá às mulheres, graças a Orunmilá e a Oxum, salvando assim as mulheres e seus descendentes.

Dado aos fatos contidos no odu Odi meyi (escritura sagrada de Ifá), Orunmilá salva Oxum das perseguições de Ikú (morte) e de todos os arrastes. Iniciando a mesma nos mistérios do Ikofá, tornando-se Oxum Apetebi e posteriormente sua esposa.

A escritura, nos deixa clara a força e o poder que o Ikofá exerce na vida da mulher, principalmente na saúde, no equilíbrio emocional, quebrando as maldições, trazendo a felicidade conjugal, etc. Como ocorreu com Oxum.

A espiritualidade de Orunmila é fundamental para a mulher, independente de seu orixá ou segmento religioso. Digo isto pela seguinte razão de que: nem Orixá tutelar, nem segmento religioso irão suprir ou substituir a importância fundamental que Ifá exerce na vida da mulher.

Pois Ifá é parte de todos os seres humanos, e está contido dentro do espírito de cada ser, pelo simples fato de termos um destino, e um propósito real por estarmos vivos. Este propósito em toda sua amplitude chama-se Ifá.

É importante ressaltar não só os benefícios que o Ikofá traz a mulher em sua essência, como a todas as mulheres que cultuam os orichas yorubás, principalmente às filhas de Oxum, por serem a percussora do culto, as filhas de Oya, Óba, Yewá, por sua ligação transcendental com os espíritos e com a adivinhação e a ligação com Ikú, as filhas de Yemanjá, pois através de seus filhos pode se lavar o Ikofá, Nanã e todas as Iyabás do culto yorubá.

A essas mulheres afirmo que diante de fatos relevantes não ter Ifá é não ter grande parte de sua espiritualidade intuitiva, materna, religiosa, etc. Digo isto principalmente às mulheres líderes no culto, pois também por serem mães-de-santo e terem com isso o dom da maternidade religiosa, a necessidade vital de ter Ikofá nos mostra claramente Oxum quando recorre a Orunmilá em prol do nascimento de seu filho. Já que Oxum representa a fertilidade espiritual em nosso culto.

Pataki (conto)

Ikú vivia com Oduduwá que era quem guardava o segredo de Ifá, mas Ikú estava apaixonado por Oxum e para que ela correspondesse às suas intenções, este sempre estava dizendo e entregando segredos de Ifá e entre estes segredos, lhe entregou dois adeles (Ikin consagrado), daqueles que Oduduwá tinha em sua casa. Mas acontecia que nem mesmo assim, Ikú conseguia fazer com que Oxum gostasse dele e correspondesse seus sentimentos. Na verdade Oxum gostava de Orunmilá e quando Ikú descobriu tais sentimentos tratou de destruí-la.

Todos os dias Ikú mandava sombras más a Oxum, por isso ela sempre estava passando mal, pois já estava grávida de Orunmilá e sentia medo de que Ikú acabasse também com seu filho.  Mas Oxum era muito amiga de Yewá e foi até ela e levando um presente começou a chamá-la.

Então Yewá apareceu e acompanhou Oxum até onde estava Orunmilá, que ao mirá-la, viu o odu Odi meyi e Orunmilá disse que para que nascesse o filho de ambos, devia dar-lhe o segredo de Ikofá. Então Orunmilá pediu a Oxum os adelés ni Ifá que Ikú lhe havia entregado e os pôs no piso e cantou:

“Bi ti bi ti bi ti re…” ….e os pôs nas mãos de Oxum, chamou seus três filhos, que eram dele com Yemanjá, Awó Akide, Aseto e Awe para que lavassem e consagrassem o Ikofá a Oxum. Deram-lhe ejegbale e então moviam os adelés junto com os de Orunmilá, sacando Odi Meyi.

E então entregaram o segredo de Ikofá e assim puderam salvar todas as mulheres e seus filhos, onde se entregou o primeiro Ikofá para a mulher no mundo.

Funções religiosas das Apetebis no Culto de Ifá

Destacamos agora a importância das mulheres no Culto a Ifá a partir do momento de sua iniciação, sua posição e suas atribuições junto ao culto, no que diz respeito também aos cerimoniais realizados e sua influência como peça fundamental para o melhor andamento das mesmas. É importante frisar que, em nosso culto toda mulher que recebe a cerimônia de Ikofá alcança o maior nível de graduação religiosa. Sendo elas essenciais para o desenvolvimento estável e harmônico dos cerimoniais.

Dotadas de uma sensibilidade única, a Apetebi com sua essência envolvente e carismática torna mais suave e agradável todo e qualquer desenvolvimento religioso, tornando aprazível e acolhedor o contato com as pessoas, seja recepcionando em suas casas religiosas, seja orientando, seja atuando no auxílio aos cerimoniais, permitindo assim a chegada de Orunmilá em um ambiente harmônico e puro como deve estar os o templo onde se realize os rituais a Ifá e assim obter uma manifestação espiritual completa de Orunmilá. E fundamental a atuação das Apetebis, dando atenção às necessidades dos sacerdotes, contribuindo para o melhor andamento dos rituais, seja preparando os Adimus sagrados ou servindo as mesas cerimoniais, ou seja, recepcionando aos presentes.

As Apetebis também possuem um papel importante na socialização e convívio harmônico entre afilhados, consulentes, sacerdotes,etc. se desenvolvendo espiritualmente diante de suas funções, conhecendo os patakis mencionados pelos babalawós durante os cerimoniais, aprendendo a cultuar melhor seu orixá. As Apetebis aprendem em Ifá e em comunhão com seu padrinho na casa de Ifá, os conceitos religiosos básicos para ter uma vida mais feliz, buscando as orientações baseadas na escritura sagrada que as levam a um nível espiritual grandioso, como já conheci Apetebis de anos de religião com uma sabedoria surpreendente.  Os babalawós invocam as divindades e as Apetebis amparam-nos dando o auxílio fundamental para que tudo seja odara. E assim recebendo as bênçãos de Orunmilá.
Iboru, Iboya, Ibosheshe!

Oluwo Siwajú Evandro Otura Airá 

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