MÃO DE ORUNMILÁ

A cerimônia de Mão de Orunmilá é conhecida como Ikofa Fun, quando a iniciada em Ifa é uma mulher, e Awó Fakan, quando o iniciado é um homem. A diferença não é só no cerimonial já que a mulher recebe 1 ikin, enquanto que o homem recebe 19 ikins. A mulher recebe 1 ikin em sua consagração, pois a mesma tem Orunmilá para sua adoração e culto, já que Orunmilá é representado em um único ikin, as Apetebis que recebem dezesseis são as Iyafas, ou as Ayafas quando fazem parte da iniciação na hora de receber o Ifá das mãos do Babalawó quando é seu esposo ou filho e se iniciam para o sacerdócio.304826_4162323063940_2135066165_n

É um erro gravíssimo para nossa tradição (Religião Yorubá preservada em Cuba) colocar mais de dois ikins no Ikofa, visto que aqueles que fazem isso, demonstram com tal atitude uma falta de conhecimento profundo do culto e o verdadeiro significado do porquê a mulher somente tem 1 Ikin em seu ikofa. A cerimônia é comumente chamada Mão de Orunmilá, pois simbolicamente se recebe uma mão de Orunmilá, a esquerda. Como Orunmilá é direito, esta mão não serve para trabalhar a religião sendo que só serve para saúde e bem estar pessoal, e por este motivo essa mão só fala no Itá. Um dos maiores benefícios dessa cerimônia é que é a primeira cerimônia que tem um Itá. Um Itá é uma parte da cerimônia onde Orunmilá fala e dá ao interessado um Odú, onde o caracteriza como homem na terra, apontando os obstáculos a serem enfrentados e o remédio para se desviar deles. Este destino não se deve entender como fatalista, pois Orunmilá diz ao interessado o que deve evitar e buscar em sua vida. As coisas que deve fazer e não fazer para poder viver uma vida melhor.

PQAAAHvF6TT697aEFQglduf5wunP-nXTnc5LosStS22niw4C2XsDtfWyaJY0NqeqcWI5rpzyG0igow7jWE56YudAj9oAm1T1UKtqKn8XOwiEkLsFmlbaI-RQKl-q

Em Ifá a morte se chama Ikú. A história diz que era uma etapa onde os seres humanos eram recolhidos por Ikú ao céu antes de seu tempo predestinado. Os Orishás também tinham medo e estavam incomodados com isso até o dia em que chegou Orunmilá. Um dia quando Ikú não se deu conta, Orunmilá foi e conseguiu o bastão da morte, a ferramenta de Ikú. Como Ikú notou que havia desaparecido o seu bastão, mesmo debilitado partiu furiosamente para a casa de Orunmilá e mandou que lhe devolve-se o bastão, Orunmilá rejeitou o que Ikú disse e respondeu: “Não, tu foste escolhido por Olodunmaré para levar os seres humanos no seu tempo vencido, mas tu tens deixado morrer os seres humanos quando tu desejaste”. Ikú disse: “Se eles não morrem, morre a terra”. Orunmilá contestou: “Tu não tens nenhum direito de tomar os seres humanos antes de seu tempo…” Depois de longa reflexão, Orunmilá reconheceu a lógica no qual Ikú disse: “Se os seres humanos nunca morrem, morrerá a terra, porque a terra não seria capaz de alimentar a todos”. Então Orunmilá combinou com Ikú a seguinte condição: “Te devolvo teu bastão e deves jurar que jamais, nunca vás a levar os meus filhos antes de seu tempo vencido na terra. Meus filhos levam meu Idé sagrado na mão esquerda. Todos os iniciados em Ifá têm um IDÉFÁ na mão esquerda”. Assim foi fechado o pacto entre Ikú e Orunmilá, que todos os filhos de Orunmilá não serão levados por Ikú antes de seu tempo cumprido na terra.

A cerimônia de Mão de Orunmilá dura três dias. O primeiro é um sacrifício, rezas, a Orunmilá, aos santos que acompanham e a Egun. O segundo dia é chamado pelos conhecedores como “o dia do meio”. É um dia de descanso. O terceiro dia é o Itá de Orunmilá. Cabe destacar que nesse Itá é que se descobre o Odú e o Orishá tutelar da pessoa.

Ifá Ni L’Órun

Gostou? Que bom, compartilhe com seus amigos.