ÓBBA E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA O REINO NA TERRA

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OBATALÁ, com sua sabedoria, certa vez abordou XANGÔ: “Já é tempo de se casar XANGÔ. Não se preocupe que vou encontrar uma mulher para ti, para que te estabeleças e te tranquilizes”. XANGÔ, respeitoso, foi cabisbaixo, pois tinha que deixar a mulher que tanta ilusão e paixão lhe despertava: OYÁ.

A escolhida por OBATALÁ era ÓBBA NANI, mulher culta, exótica, de grandes tranças negras que brilhavam como lanternas na noite escura… ÓBBA se encarregava de dar a seus irmãos ORIXÁS, todos os conhecimentos; era educadora por excelência e apaixonada em sua própria personalidade. Seu pai, OBATALÁ, sábio entre os sábios, disse: “Esta será a união perfeita, o mundo e nosso reino se beneficiarão até o fim da humanidade”. E todo o universo vibrou com os sons do festejo do dia em que XANGÔ e ÓBBA uniram seus poderes e potências no matrimônio sagrado dos ORIXÁS. Ela se torna assim a única esposa legítima de XANGÔ.

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Nessa união XANGÔ trouxe ao reino o fogo, as artes da adivinhação, a dança, a compreensão, a arte de fazer amor e os tambores, sacros ou não, que alegram o espírito. ÓBBA por sua vez, apaixonada por seu amor XANGÔ, recatada e pura ante essas virtudes aportadas por seu esposo, deu em silêncio seus dons com felicidade: a cultura, as matemáticas, a literatura, a música, as artes plásticas em toda sua riqueza de seus gamas, o teatro, a arquitetura, etc, cobrindo assim todo o universo de ensino e educação.

Mas a tragédia encerrou suas próprias vidas e XANGÔ se rendeu aos encantos de OYÁ, sucumbindo a este ORIXÁ de redemoinhos  e ventos  e se encanta por suas artes de erotismo sensual. ÓBBA, conhecendo suas próprias debilidades, induzida por OYÁ e também para agradar seu esposo, cortou uma orelha e a cozinhou em seu prato preferido, o AMALÁ ILÁ e pensou: “Se ele come, penetrarei nele para sempre”. Mas a pobre culta, perfeita e sábia se equivocou em sua ingenuidade. XANGÔ ao vê-la imperfeita em sua desgraça, a condenou ao exílio.

Contam os PATAKIS que ÓBBA se foi para bem distante, onde a cultura se distancia da força e chorou tanto sua desgraça que com suas lágrimas formaram os lagos e lagoas com sua tristeza reciclada em si mesma. Foi ao mundo dos espíritos, sinceros e desnudos como seus próprios corpos. Por determinação de OLÓFIN, o DEUS supremo, ÓBBA é e será sempre a dona da sabedoria, das artes, sua patrona e protetora, ORIXÁ da educação, grande ORIXÁ do perdão.

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OBATALÁ, ao ver a tristeza refletida nos olhos de sua filha ÓBBA, disse:

“De hoje em diante levarás atributos:

O YUNKE (bigorna), presente de seu esposo, já que é ferreiro como OGUN,

O TIMÃO DE BARCO e a BÚSSULA, porque como YEMANJÁ, és navegante e guiarás o ser humano por seus bons caminhos da vida;

Usará uma MÁSCARA que representará a outra cara da vida, a morte;

A PENA para escrever, porque serás sábia como eu;

A ESPADA, porque como XANGÔ és guerreira;

A ORELHA, como lembrança da traição de tua melhor amiga, OYÁ;

E a CHAVE com que abrirás as portas dos bens materiais em cada casa.

Serás chamada ÓBBA NANI, que significa: A QUE SE SACRIFICA PELO BEM-ESTAR DE TODOS OS SERES HUMANOS, a que transmite seus ensinamentos e os recria em seu próprio povo, nosso povo”.

 

Ifá Ni L’Órun

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