ORUNMILÁ RUMO A IFÉ

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No começo do mundo, quando Orunmilá baixou à Terra, veio com a missão de encontrar ILÉ IFÉ, para ensinar aos filhos daquela terra, que eram regidos por Oduduwá, em todas as questões sobre como teriam que viver e sobre as leis de Ifá, que Olófin havia ditado para que fossem acatadas.

Orunmilá descendeu em Oniká (A beira do Mar), porque todos os caminhos sobre a Terra se encontravam em Oniká ( A beira do Mar) e assim conduziam a terra sagrada preferida de Olófin que era Ifé. No momento que Orunmilá se pôs a caminhar pela beira do mar, mas pouco antes de seguir o caminho, Atefou seu Ifá (se comunicou em Ifá através dos ikins) saindo nesse momento o Odú Bagba Ejiogbe onde lhe dizia que deveria realizar um sacrifício na areia do mar junto com seu sagrado Ifá. Realizado o sacrificio, Orunmilá seguiu em busca da cidade de Ifé.

Ele havia tentado por caminhos distintos e sempre se encontrava com homens distintos aos que buscava, pois uns eram brancos e outros eram negros, mulatos, albinos, chineses e de diferentes regiões, mas não encontrava o caminho que o levava a cumprir a meta de sua viagem, que era Ilé Ifé.

Quando já havia caminhado por 15 terras distintas, resolveu fazer o seu caminho, pela última rota que ele seguiu que era um caminho de areia que sempre mudava de forma ao capricho dos embates do vento e quando já Orunmilá, que estava há vários dias caminhando por aquele largo deserto de enormes montanhas de areia, se encontrava desfalecido, foi quando de repente viram perto dele, entre as nuvens de seus olhos irritados, um poço d’água que tinha uma Aragbá, uma Iroko e uma Opé (palmeira) ao lado.

Olhou e pegou seu Ifá e se ajoelhou diante dele, aos pés do poço que brotava da flor da terra, entres as areias e deu graças a Olófin, por haver-lhe facilitado encontrar aquele poço quando já se encontrava próximo de morrer de sede. Tomou água e ficou meio sonolento e exausto e dizia a Olófin que regressaria ao ponto de partida, por estar já cansado de caminhar e não encontrar Ilé Ifé.

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Então ouviu uma voz que dizia: “ORUNMILÁ PAPO KEMATO ATETERE LAYE OMO EJIOGBE” (quanto mais olhas, menos vês, tens as coisas em sua frente e não as vê). Aquela voz lhe disse mais: “PEGUE TEU IFÁ NAS MÃOS E SUBMERJÊ-O NAS ÁGUAS DO POÇO, JOGUE ÁGUA NA VISTA E NAS COSTAS PARA ACLARAR TUA VISTA E REFRESCAR O CAMINHO QUE TENS PERCORRIDO”. E ele ouviu uma voz cantando:

“ALAWAN FOWUEDE, OYU. ALAWAN FOWUEDE, OFO”

Quando Orunmilá abriu os olhos, já não tinha mais névoas em suas vistas e viu através das árvores do Oásis a entrada da Cidade de Ifé e então aquela voz lhe disse: “VÁ E COMPLETE TUA MISSÃO E PARA QUE NÃO ACONTEÇA O MESMO COM TEUS FILHOS, CADA VEZ QUE FIZERES UMA CONSAGRAÇÃO DE IFÁ, TENS QUE FAZER ESTA CERIMÔNIA JUNTO COM ESTA CANÇÃO.

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Orunmilá lhe rendeu Moforibalé (reverências) àquele Espírito de Olófin e então lhe disse que aquelas três árvores serviriam para Bogdun na consagração dos homens de Ifé.

Nota: Por este motivo todos os que se iniciam em Ifá devem realizar esta cerimônia milenar durante suas consagrações em Ifá, seja Apetebi, Awó Fakan, e Babalawó, afim de estarem sempre bem direcionados no mundo e nunca percam o rumo de suas vidas.. Essa cerimônia marca a chegada à terra sagrada de Ifé representada no Igbodu Ifá quando os neófitos se iniciam. Esse ritual é realizado até os dias de hoje dentro de nossa tradição de Ifá.

Ifá Ni L’Órun Otura Aira

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