O RELIGIOSO QUE NÃO ACREDITAVA EM ORUNMILÁ

Adivinacion afrocubana

Havia um RELIGIOSO OMO ORISHÁ (Filho de Orishá) que passava todos os dias pelo palácio e não saudava o Rei. Um dia o soberano deu a ordem de que lhe trouxessem em sua presença o RELIGIOSO, e assim o fizeram.

Quando o RELIGIOSO chegou, o Rei lhe perguntou os motivos pelo qual ele passava pelo palácio todos os dias e não o saudava. O RELIGIOSO respondeu que não o saudava porque ele também tinha coroa e quando o Rei passava em frente a sua casa, não o saudava também.

Que classe de coroa tu tens? Disse o Rei. Então o RELIGIOSO respondeu: Minha coroa é de OSHA (ORISHÁ).

Então o Rei disse: Tu és desses adivinhos? Pois se sou adivinho! respondeu o RELIGIOSO. O Rei respondeu: Pois amanhã quero que tu me adivinhes.

No dia seguinte o Rei foi a consultar-se e quando o RELIGIOSO o adivinhou, este lhe disse: Você tem um OZAIN e tem que dar-lhe de comer.

O Rei lhe disse que sim, que ele tinha e o pegou e o deu para que o visse. O OZAIN era digno de um Rei. Em vez de contas que representavam a um ORISHÁ, estava montado com pedras preciosas, prata e ouro. Mais que um resguardo, é um tesouro, o Rei disse. Eu vou deixá-lo aqui para você lhe dê de comer, mas se tu perdê-lo lhe custará a vida.

O Rei queria na verdade um motivo para matá-lo. Então o soberano voltou para seu palácio.

No outro dia o Rei disse a sua filha: Vá para o lugar onde vive um adivinho e procure roubar dele o meu OZAIN que deixei em seu poder, para depois poder acusá-lo de haver roubado de mim e desse modo me livrar dele.

A filha do Rei chegou à casa do adivinho disfarçada para que este a consultasse, já que ela sabia onde encontrar o OZAIN de seu pai, porque este o havia dito, já que o adivinho o havia posto sobre o OBATALÁ em sua presença.

Quando o adivinho consultou a filha do Rei, o oráculo dizia que tivesse cuidado com uma pessoa que ia a sua casa, que lhe podia fazer ciladas e que ao mesmo tempo lhe poderia roubar e que por conta desse roubo ele poderia ter um sério desgosto. Mas o RELIGIOSO não se lembrou que sempre que sai esse determinado ODÚ, fala ELEGUÁ com quem se está registrando, que esta pessoa vem roubá-lo ou prová-lo.

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O RELIGIOSO fechou os olhos e não perguntou por seu LERI e se levantou e deixou o armário dos ORISHÁS aberto. A oportunidade que aproveitou a filha do Rei para roubar-lhe o OZAIN. Ela riu e caçoou consigo mesma de como o RELIGIOSO não havia adivinhado que ela veria roubá-lo. Quando ela se foi, o RELIGIOSO saiu para buscar os ingredientes que faltavam para dar de comer a OZAIN do Rei. Ela o viu. Pensou que ele estava perseguindo-a porque havia descoberto tudo, e atirou o OZAIN ao mar.

No dia seguinte, o RELIGIOSO, pensando que o OZAIN estava onde ele o havia guardado, foi buscá-lo, mas não o encontrou. Acreditou estar louco. O Rei que sabia o que havia passado com sua filha, foi atrás de seu OZAIN e deu um prazo a ele, onde o Rei lhe disse que quando o prazo acabasse, queria o seu OZAIN ou do contrário o RELIGIOSO perderia sua cabeça.

O RELIGIOSO não sabendo o que fazer, se lembrou de ORUNMILÁ e correu até a casa deste. ORUNMILÁ lhe consultou e lhe disse:

Caíste numa armadilha! Depois de aconselhar-se com ORUNMILÁ, este lhe disse: Tens que fazer algumas oferendas e sacrifícios que levam um PEIXE. O RELIGIOSO correu em seguida a pegar o EYÁ e quando ORUNMILÁ foi fazer-lhe os sacrifícios, encontrou o OZAIN dentro do EYÁ.

Assim, quando o Rei veio buscar seu OZAIN, bendisse ao RELIGIOSO.

Este RELIGIOSO não queria saber nada sobre ORUNMILÁ e IFÁ e fazia pouco desses, mas depois o bendisse todos os dias.

MAFEREFUN ORUNMILÁ, MAFEREFUN IFÁ!

 

Ifá Ni L’Órun

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