IFÁ CONSERVAÇÃO ESCRITA

Todos os sacerdotes de IFÁ que chegaram a Ilha de CUBA levaram em seus corações e mentes a sabedoria de IFÁ, estabelecendo ali como sua nova terra.

Na chegada de IFÁ na Ilha, estes sacerdotes Nigerianos deram início a disseminação do conhecimento litúrgico e filosófico de IFÁ. BERNARDO ROJAS foi um dos primeiros BABALAWÓS nativos da Ilha que foi consagrado por ADESINA (nigeriano) este primeiro esteve ao lado de seu maestro muitos anos até o dia de sua morte aprendendo tudo sobre IFÁ.

Como sabemos, de BERNARDO nasceu uma das primeiras e grandes ramificações de IFÁ na Ilha. BERNARDO ROJAS era um grande conhecedor dos segredos de IFÁ e detentor de ODUN (divindade que possibilita o nascimento de outros BABALAWÓS), e por este motivo decidia quem poderia ou não ser BABALAWÓ. Os BABALAWÓS recém iniciados desta época acompanhavam os cerimoniais de IFÁ que se realizavam em vários pontos da Ilha e pensando na possibilidade de quebrar a hegemonia estabelecida por BERNARDO e outros, decidiram dar início a um processo de registro a tudo o que testemunhavam em IFÁ, visando aprender e eternizar o conhecimento de IFÁ.

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A escrita era proibida em CUBA pelos sacerdotes, embora os mesmos já haviam documentado tudo dos próprios Nigerianos, mas mantinham este segredo a sete chaves. Foi então, que as gerações seguintes começaram a driblar essas normas registrando em papel de bodega, nos tempos vagos de cada ritual, tudo o que presenciavam em IFÁ. Os cerimoniais secretos, os Patakis, os cantos etc.

Tempo depois, algumas ramificações se encontraram com outras estabelecendo uma unificação dos registros dando início a documentação de IFÁ. Com a chegada dos estrangeiros a IFÁ, anos depois da morte dos sacerdotes das gerações anteriores, acabou por facilitar a disseminação destes documentos e a junção destes tomaram formato conhecido como o TRATADO ENCICLOPÉDICO DE IFÁ. O sistema de FIDEL CASTRO contribuiu para que todo o legado de IFÁ, levado pelos Nigerianos da ÉPOCA, se mantivesse intacto até que os mesmos fossem preservados pela escrita, já que era quase impossível um nativo conseguir sair da Ilha e, influências externas quase não ocorreram pelo mesmo motivo se tornando CUBA uma Ilha isolada, mas fundamental para a preservação de IFÁ. A ética e moral de IFÁ na Ilha criou um sistema de respeito das gerações seguintes e a tudo que foi preservado na escrita, tornando-se um crime e uma falta de respeito a memória de nossos ancestrais qualquer desrespeito ou alteração desses documentos. Portanto, tudo que existe hoje em nosso corpus de IFÁ foi levado e preservado pelos sacerdotes antigos onde a maioria no início da implantação eram Nigerianos sacerdotes legítimos em suas terras, os historiadores e os antropólogos provam erra narrativa. Portanto, nossos PATAKIS, nossos RITUAIS, nossas DEIDADES e ORIXÁS pertencem a uma época da NIGÉRIA na qual ainda não tinham as influências, tanto religiosas, quanto culturais de hoje.

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Devemos ter cautelas em algumas afirmações imaturas comuns daqueles que não conhecem absolutamente nada sobre a história de IFÁ no mundo. Então, não me venham dizer que isso ou aquilo é coisa daqui ou de lá sem mesmo conhecer a profundidade do que afirmam.

Disse IFÁ: “O peixe morre pela boca”. Nós somos definidos na sociedade pelo que falamos e afirmamos, o grau de qualidade e maturidade na emissão das palavras determinarão o grau de sabedoria, conhecimento, inteligência, imaturidade, estupidez, ou ignorância diante dos fatos reais da vida, que os levarão ao descrédito total, ou a credibilidade que consecutivamente construirá nas pessoas a sua volta um conceito bom ou ruim sobre você.

Pense antes de falar para não ser definido como um imbecil no conceito das pessoas que sabem um pouco sobre a vida. O tempo desmente o que a boca imatura não foi capaz de enxergar…

 

Texto de Oluwó Siwajú Evandro Otura Aira

 

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