TRADIÇÕES YORUBÁS REGRA DE OSHA LUKUMI

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As tradições da REGRA DE OSHA LUKUMI foram preservadas e o conhecimento completo de seus ritos, canções e linguagem, são um requisito prévio a qualquer participação profunda dentro da religião. Os iniciados devem seguir um regimento e respondem por suas ações ante OLODUMARÉ e os ORIXÁS.

A medida que uma pessoa passa através de cada iniciação dentro da Tradição, seus conhecimentos ficam mais profundos e suas habilidades e responsabilidades aumentam. De fato, no primeiro ano que segue a sua iniciação dentro do sacerdócio, o iniciado ou YAWÓ, deve vestir-se de branco durante esse ano completo. Um YAWÓ não deve usar maquiagem, nem sair à noite durante o término desse tempo, entre outras determinações.

A REGRA DE OSHA LUKUMI é muito conhecida por sua espiritualidade. Espiritualidade esta que se baseia no conhecimento de seus mistérios e ORIXÁS e como interagir com eles para melhorar nossas vidas e as vidas daqueles que nos procuram buscando ajuda e dos ORIXÁS. Vivemos sob as premissas de que este mundo é um mundo misterioso. Este conhecimento parece “sobrenatural” só para àqueles que não o entendem, pois na realidade, é completamente NATURAL.

Ainda que os YORUBÁS tivessem sido arrebatados de seus lares na ÁFRICA e escravizados no Novo Mundo, seus ORIXÁS, sua religião e seus poderes nunca puderam ser acorrentados e a religião tem sobrevivido até o presente momento. Não como um anacronismo, e sim crescendo constantemente até hoje, inclusive em lugares como França, Espanha, Alemanha, Portugal e os outros países da Europa, sem contar com os Estados Unidos e toda a América Latina.

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A REGRA DE OSHA LUKUMI aparece já definida e fortalecida nas crenças ocidentais de CUBA no século XIX, embora há indícios históricos dela já na colonização em CUBA desde 1542, onde os europeus já traziam com eles escravos que cultuavam IFÁ e ORIXÁS.

A REGRA DE OSHA LUKUMI é uma religião que tem suas origens nas tribos YORUBÁS da ÁFRICA. Os YORUBÁS viviam no lugar que se conhece hoje como NIGÉRIA, ao longo do RIO NÍGER. Durante um tempo tiveram uma poderosa e complexa estrutura organizada em uma série de reinos, dos quais o mais importante era em BENIN. Este durou por 12 (doze) séculos até o ano de 1896.

Aos finais do século XVIII e princípios do século XIX, os YORUBÁS lutaram em uma série de guerras com seus vizinhos e entre eles também. Estas guerras internas e os ataques externos, levaram a caída e escravidão do povo YORUBÁ. Entre 1820 e 1840 a maioria dos escravos enviados desde BENIN eram YORUBÁS. Estes foram levados para CUBA e ao BRASIL para trabalhar nas plantações de cana de açúcar. Os LLUKUMIS logo foram chamados de “YORUBÁS” devido a sua língua ser YORUBÁ e a dificuldade que os europeus tinham de dizer a palavra “LLUKUMI”. A palavra LLUKUMI tem origem na saudação “OLOKUN MI”, “MEU AMIGO”.

As leis espanholas, ao mesmo tempo que permitiam a escravidão, tratavam de atenuar essa injustiça concedendo aos escravos alguns direitos, ao menos em teoria. Teriam direito a propriedade privada, matrimônio e segurança pessoal. Também as leis exigiam que os escravos fossem batizados católicos como condição de sua entrada legal nas “ÍNDIAS”.

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A igreja tratou de evangelizar os negros LUKUMIS, mas as condições eram muito difíceis. Além da escassez de sacerdotes, a injustiça da escravidão, dificultava que os LUKUMIS compreendessem e aceitassem o que lhes eram ensinado a respeito de DEUS. Mas além dos motivos por trás da iniciativa evangelizadora, os homens que promulgavam a fé cristã entre os escravos, pertenciam a mesma raça e em muitas ocasiões aos mesmos círculos sociais que os escravistas. O resultado foi que muitos aceitaram exteriormente os ensinamentos católicos, enquanto que interiormente mantinham sua religião.

Com o triunfo da revolução comunista em CUBA em 1959, mais de 1 (hum) milhão de cubanos se exilaram em outros países (principalmente nas cidades de MIAMI, NEW YORK e LOS ANGELES). Entre eles haviam adeptos de IFÁ e REGRA DE OSHA LUKUMI que propagaram a religião em seus novos ambientes e para todo o mundo.

A REGRA DE OSHA adora uma força central e criadora chamada OLODUMARÉ. Dele procede tudo o que existe e tudo regressa a ele. OLODUMARÉ se expressa a si mesmo no mundo criado através do ASHÉ. ASHÉ é o sangue da vida cósmica, o poder de OLODUMARÉ que tem vida, força e justiça. É uma corrente divina que encontra muitos canais de maior ou menor receptividade. ASHÉ é a base absoluta da realidade.

Acreditam que a vida de cada pessoa vem já determinada antes do nascimento em ILÉ-OLÓFIN, a CASA DE DEUS no céu. As pessoas devem reencarnar até os seus espíritos evoluírem ao ponto de não mais ser necessário o regresso a vida terrena.

 

Ifá Ni L’Órun 

 

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