KUANADO

 

Disse Ifá: “A esperança é alimento da alma”.

Parabéns ao Awó Ni Orunmilá Odi Moni pelo passo dado no culto de Ifá recebendo das mãos de seu Oluwó Siwajú Evandro Otura Aira seu Ogbe Kuanado (direito de atuar como Babalawó).

Que as bênçãos de Orunmilá o alcance.

A trajetória religiosa da formação de um Babalawó em nossa tradição é árdua, mas não poderia ser diferente dado a grandeza e complexidade de Ifá. A formação intelectual, moral, espiritual de um sacerdote depende exclusivamente da base estrutural da tradição religiosa na qual o mesmo está inserido.

Mesmo o homem mais inteligente e espiritualista depende de uma boa formação que consista em desenvolver seu intelecto religioso diante da própria espiritualidade.

O neófito que visa um lugar sacerdotal em nossa tradição, deve se dar conta que existem dogmas dentro do nosso culto que proíbem que o mesmo se torne Babalawó. Tais proibições vão das negativas do Odú pessoal até outros quesitos que não preciso mencionar.

Passando por esta fase de aprovação do próprio Odú e autorização de Orunmilá e os quesitos citados, se dá início ao processo iniciático que em muitos casos vai desde as 16 cerimônias prévias (pregação para a consagração como Babalawó) que em alguns casos duram um ano inteiro. Logo este ingressará no Igbodu durante sete dias recluso totalmente do mundo para sua consagração como Babalawó.

Dentro desses sete dias inúmeros rituais são realizados de forma que o poder de Ifá reconheça o neófito como um futuro Babalawó.

No sétimo dia regressa ao mundo como Awó Ni Orunmilá, mas ainda não poderá atuar como Babalawó dentro dos rituais litúrgicos.

Será uma iniciado como Awó, mas sem direitos de atuar como tal.

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Após algum tempo de estudo e amadurecimento ao lado de seus superiores, este diante da autorização de Orunmilá receberá das mãos de seu Oluwó Siwajú o Kuanado (direitos espirituais de atuar como Babalawó).

Após esse processo o mesmo está autorizado a iniciar seu aprendizado de forma sólida, exatamente pelo motivo que o Kuanado é a autorização para praticar aquilo que aprendeu e nada mais e ponto final.

O desenvolvimento de um Babalawó depende do desenvolvimento intelectual religioso e não depende de passos espirituais, cerimônias etc, portanto mesmo com Kuanado, Oro, Oduduwá, Olófin, Abita, Olodumaré, se o Awó não desenvolver ao lado de seus maestros a maturidade sacerdotal dentro da espiritualidade, com certeza será um Awó medíocre.

Quero parabenizar aos Babalawós da Tradição Afro-Cubana independentemente de quem seja, pela coragem e determinação de terem passado pelos exigentes passos de nossa Tradição.

E terem superado o processo exigente e dizer que cem vezes eu escolheria aos pés de Olodumaré, se assim ele permitir, vir sacerdote da Tradição Afro-Cubana.

Iboru, Iboya, Ibosheshe!

Oluwó Siwajú Otura Aira Ifá Ni L’Órun

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