OLOKUN – AGANA ERI

OLOKUN é o ORIXÁ da procriação, é a deidade das profundidades oceânicas, onde ODUDUWÁ o acorrentou. Dentro de OLOKUN habitam dois espíritos: SOMÚ GAGÁ e AKARÓ. AKARÓ é o espírito da morte, seus diloguns (búzios) não falam, porque tem a boca fechada.

OLOKUN é o ORIXÁ do oceano, representa o mar em seu estado mais temido, pois é a profundidade cheia de segredos. É andrógino, metade homem, metade peixe. Possui um caráter violento, misterioso e compulsivo.

Seu nome provém do YORÙBÁ OLÓKÚN (Olo:Dono – Okún: Oceano), mas na realidade é o Dono de todas as águas, pois suas filhas OLONA e OLOSÁ (ninfas d’água) representam os: mananciais, charcos, cascatas, lagoas, rios, riachos, extensões marítimas e a água da chuva.

Representa as riquezas do fundo do mar e a saúde. Diz-se que ODUDUWÁ a acorrentou no fundo do oceano, quanto tentou contra a humanidade com dilúvios.

É Pai-Mãe de YEMANJÁ. Sempre é representado com máscara, pois os vivos não o olham diretamente no rosto.

Seu culto provém de Benin, Ilé Ifé e chega a Cuba no final do século XIX com a Yalorixá ONI YEMANJÁ Fermina Gómez.

Convivem com OLOKUN dois espíritos SOMÚ GAGÁ e AKARÓ e ambos espíritos são representados por uma boneca de chumbo que leva em uma mão uma serpente (AKARÓ) e na outra uma máscara (SOMÚ GAGÁ)

Sua saudação é: “Maferefun OLOKUN”.

OLOKUN vive em um porrão grande de louça ou de barro, de cor azul ou tonalidades de azul, cheio de água.

Seu número vibratório é 9 e seus múltiplos.

AGANA ERI em seu estado natural representa os nitratos, produtos da decomposição bacteriana das proteínas provenientes de animais e vegetais marinhos, que traz iones de amoníaco para em seguida completar o chamado ciclo biológico do hidrogênio, tão importante para a vida aquática.

O nitrato é consumido por sua vez pelas plantas marinhas ou convertido na parte de hidrogênio, e sobe desde as profundidades marinhas até as praias, onde a espuma (AGANA ERI) o envolve nas bolhas de ar e a passa através das areias. A areia faz o filtro marinho, assim como os arrecifes, e é então como a natureza mesma a purifica e recicla as águas.

Por que se oferece à OLOKUN na terra e logo depois se leva ao mar?

OLOKUN tinha dois grandes guerreiros que lutavam junto a ele diariamente. Cada vez que venciam uma guerra, OLOKUN chamava seus servidores e lhes convidava a escolher suas recompensas. Se o primeiro deles, que era vaidoso e mau pedia uma coisa, ao outro que era humilde e reverencial, lhe dava duas vezes o mesmo. Vendo o invejoso e orgulhoso esta situação, um dia depois de uma vitória, pediu a OLOKUN que lhe tirasse um olho.

OLOKUN entendeu que, se concordasse com esse pedido, teria que deixar cego a quem tinha demonstrado bondade e resignação, então determinou:

“A partir de hoje te tiro um olho, mas viverás na terra, onde haverá guerras, misérias e choros. Teu irmão viverá no fundo dos oceanos comigo e ainda que não veja a terra por tua culpa, no oceano terá olhos para ver aquilo que tu não poderás ver. Ele terá paz e riquezas e também para que eu aprove o que estás fazendo na terra, terás que levar provas de tuas ações ao mar e assim ele te dará o seu Ashé”.

(Este é o segredo do porrão e da quartinha pequena e das duas mãos de búzios, uma aberta e outra fechada que leva OLOKUN).

OLOKUN é AGANA ERI, ou seja, ela é o principal fundamento de OLOKUN.

 

Ifá Ni L’Órun

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