ASOWANO – BABALUA AYÉ – OBALUAYÉ

 

Oshe Meyi: ASOWANO e seus azeites

Oshe Tura: A chamada do AXÉ.

Obara Otura: A chegada de ASOWANO à Terra.

Ogbe Yono: A vida de ASOWANO.

Okana Sa: O mensageiro.

Otura She: O que leva a cerimônia ao céu.

Ojuani Meyi: Representa o AJARÁ

Irete Meyi Eyelemere: É o espírito de ASOWANO em ara onu (mundo espiritual).

ASOWANO ou BABALU AYÉ é o ORIXÁ da terra.

BABALU AYÉ é meio irmão de XANGÔ, quando os sacerdotes se reuniram para a distribuição dos reinos, a ele foi entregue o REINO de DAHOMEY. ARARÁ DAHOMEY de nascimento segundo alguns, ainda que de terra YORUBÁ (LUKUMI) foi à terra de DAHOMEY (ARARÁ) segundo outros.

É o ORIXÁ mais venerado na terra ARARÁ. ORIXÁ maior, muito venerado. Na verdade, BABALU AYÉ é um título que significa “pai da terra”, “pai do mundo”, que era dado a SAPKANAN, SAKPATA, cujo nome não se podia pronunciar.

Na Província de Matanzas (CUBA), os herdeiros de ARARÁ, tocam para ele o tambor ASOJÍN. Pode-se recebê-lo diretamente pelos descendentes de ARARÁ. Sua cor é o roxo púrpura e seus dias são as sextas-feiras, ainda que para outros sejam as quartas-feiras. Seu número é o 17, 77 e o 90 e no Merindilogun fala nos odús 4 (Iroso), 11 (Ojuani) e o 13 (Metanlá).

Seu nome BABALU AYÉ é de origem YORUBÁ (LUKUMI), também conhecido como AGRÓNIGA.

Junto com ASOWANO sempre se recebe um ELEGBARA, que pelo caminho ARARÁ tem o nome de ELEGBARA AFRÁ.

MENSAGEIROS de BABALU AYÉ: Mosquitos, moscas e também o vento.

Suas frutas preferidas são:

Figos, ameixas, mangas, maçãs, tâmaras, papaias, tamarindos e cajus.

Certa vez XANGÔ foi visitado por ASOWANO e este fez um pedido a ele: “Diga-me qual será o futuro desse homem de quem todos se afastam”

XANGÔ o observou e ainda que nunca o tivesse visto antes, lhe disse:

“Tu és meu meio irmão. Vá para bem longe, para o outro lado das montanhas. Serás querido e poderoso, pois és um ORIXÁ”.

“Me faltam forças. Para uma viagem tão longa necessito de proteção e ajuda”, respondeu ASOWANO.

“Leve esses dois cachorros. Te darão proteção e companhia, disse XANGÔ, entregando a ele os dois cachorros que pertenciam a OGUN.

ASOWANO seguiu o seu caminho acompanhado dos cachorros.

ASOWANO gostava muito de se divertir. Andava frequentemente com bebidas e danças até que todo mundo perdeu o respeito por ele, até mesmo OXUM, que era sua esposa e esta o abandonou. Ele era bem jovem e ORUNMILÁ o advertiu:

“Hoje domina-te e não andes com mulheres! ”

Sem dar importância ao que ORUNMILÁ disse, nesta noite se envolveu com algumas mulheres. No outro dia amanheceu com o corpo todo coberto de enfermidades. As pessoas fugiam dele porque tinham medo de se contagiar.

Por muito que pediu a OLÓFIN, este se negou a dar-lhe o perdão, e por fim ele faleceu. Porém, OXUM sentiu pena dele e graças aos seus pedidos, conseguiu que OLÓFIN devolve-se a vida a ele.

Depois disso ASOWANO sabe muito bem como sofrem os enfermos e, por isso regressou tão caridoso e misericordioso.

PATAKI

XANGÔ ao vir à Terra virtuoso de guerra e ao passar por um lugar muito sujo nas redondezas do povo de OSA YEKU, se encontrou com um senhor que estava enfermo e não podia falar, então XANGÔ mandou que seu ajudante desse água e comida a ele. Pediu que o esperasse naquele lugar, que o ia conduzir a um povo onde ele seria rei.

XANGÔ, depois de levar sua imensa tropa para o povo de OBARA KOSO e deixá-la devidamente instalada, foi para aquele lugar e pegou o senhor que era ASOWANO e o conduziu até a entrada do desfiladeiro e disse a ele que tomasse água e comesse e que ao sair do desfiladeiro ia encontrar uma capa de pele de tigre, que a colocasse, que ia encontrar um menino que ia lhe dar água e que aquele menino o indicaria algumas ervas com as quais iria curar suas enfermidades. Esse menino era ELEGBARA.

ASOWANO teve muita dificuldade para chegar até o lugar onde XANGÔ o indicou. XANGÔ foi por outro caminho e chegou até aquela terra de ARARÁ e se dedicou a reunir a todos os ARARÁS que estavam dispersos por conta da guerra e pela perda de seu rei, tão querido por eles.

XANGÔ chegou a tribo dos ANAI e lhes disse que pelo caminho do desfiladeiro viria seu novo rei, que vinha curar todos os males daquele povo e conduzi-los a um novo governo, já que a terra ARARÁ com sua capital DAHOMEY era uma terra de enfermos e que o rei vestiria uma capa de tigre em sinal de seus poderes.

Ao ouvir da boca de XANGÔ, que era respeitado e querido, foram esperar a chegada do novo rei na entrada do povoado.

ASOWANO havia chegado até esse ponto, mas como lhe faltaram as forças se acostou em uma árvore e viu a cada nação reunida fazendo reverência a XANGÔ que estava atrás e que com sua grande virtude e poder, lançou um raio na copa de uma árvore, desprendendo-se dela uma capa (a palha de palmeira) sobre ASOWANO sem que acontecesse nada a ele. Antes do acontecimento ASOWANO havia feito um comentário, pobre XANGÔ meu irmão, veja tudo o que está fazendo por mim, até chegar a mentir.

Quando ele acabou de falar, ele não conhecia o poder desenvolvido de sua entidade espiritual curativa, onde o povo ARARÁ o levou ao trono e o coroaram Rei do Território DAHOMEY.

XANGÔ se despediu de OLUOPOPÓ (ASOWANO) que estava comendo ABO (carneiro), já que era naquele momento sua carne preferida.

OLUOPOPO disse a XANGÔ:

Em agradecimento a ti, enquanto o mundo seja mundo, respeitarei o ABO (carneiro), já que lhe entrego a ti, comerás antes que eu coma, em homenagem e agradecimento pelo que você fez por mim.

XANGÔ naquele momento comia OUNKÓ (cabrito) e respondeu muito agradecido:

Enquanto o mundo seja mundo, respeitarei o OUNKÓ (cabrito) e o concedo a ti, despedindo-se de OLUOPOPÓ.

DA SOUYI GANHWA – ASOYI

Em CUBA SOYI GAJUA é o pai de ASOWANO. Vive recostado à Ceiba (ARAGBÁ).

NIYONE NANU – Em CUBA se conhece como NANÚ, a mãe de ASOWANO.

Identifica-se com SITIADENI. Vive na copa das Ceibas (ARAGBÁ). Representa o espírito da ceiba, pois em DAHOMEY se consideram as flores o espírito das árvores.

Conheceu ASOYI no rio AGBOGBOJI, é a filha de JUERO. É a mãe de AGRIYELÚ.

Tem 3 irmãos que se chamam: JOROBO, BAYAJANA E JUNEGU. Sua comida predileta é OXINXIM e MALVA.

BABALU AYÉ é um ORIXÁ muito conhecido e venerado. Representa as enfermidades e sua cura.

Na natureza de dia é encontrado entre as heras, os corais e o melão de são caetano, para proteger-se do sol. Sai de noite.

Seu culto vem de DAHOMEY (atual REPÚLICA DE BENIN), onde recebe o nome de ASOWANO, Rei de Nupe, território dos TAPKUÁ.

Seu nome vem do YORÙBÁ BABÀLÚAÍYÉ (pai da terra, pai do mundo). Na África era conhecido pelos nomes de SAMPONÁ ou SAKPATÁ.

Em algumas casas BABALU AYÉ somente é consagrado através de YEMANJÁ com ORO para ASOWANO, porém se recebe todos os seus atributos e receptáculos.

Nas casas ARARÁS realiza-se a cerimônia de consagração direta. São chamados os OMO ASOWANOS para que incorporem o ORIXÁ durante a cerimônia. Nascem seus atributos dentro do KUTÚ (buraco na terra).

Ambas consagrações também entregam NANÁ BURUKU, NANÚ e ELEGBARA AFRA.

Seu omieró, ou seja, OSSAIN (ervas) não são quinadas com água, pois isso é um tabu de ASOWANO.

Sua saudação é ASON ASOWANO! KUTANSÓ! EPKUÁ BABALU AYÉ AGRÓNIGA!

PATAKI DE IRETE KANA – SAPKUANA

Certa vez que SHAPKUANA levava uma vida desorganizada e não obedecia aos conselhos de OLÓFIN, chegou a ter todas as enfermidades contagiosas que há na Terra e eram tantas as queixas que chegavam aos ouvidos de OLÓFIN, que este não pode intervir ao seu favor.

Então os sacerdotes YORUBÁS se reuniram e acordaram bani-lo de seu povo e ao mesmo tempo, depreciá-lo por sua desobediência, ao extremo de que ninguém lhe oferecesse ajuda para que se curasse, nem sequer seu filho.

O único que se apiedou dele foi ELEGBARA, posto que os YORUBÁS acordaram não falar com ele, determinando fechar-lhe a fala na religião, não podendo utilizar os MERINDILOGUNS, desde esse momento, para que assim não pudesse atuar na religião.

SAKPUANA, ao ver-se desprezado e banido, foi embora de seu povoado. As pessoas ao vê-lo passar, atiravam água na costa dele dizendo: “leve todo o mal”. A partir desse momento não se leu mais o MERINDILOGUN depois do EJILAXEBORA (12).

Fizeram isso para que ele não fosse lembrado, já que ele fala em METANLÁ (13).

Um dia SAKPUANA se encontra com EXÚ que o levou até onde vivia ORUNMILÁ no território de IFÉ.

ORUNMILÁ disse que o haviam deixado mudo por sua desobediência, mas que ele ia ser muito grande em outra terra que não era a sua, porém ele teria de fazer algumas oferendas e sacrifícios.

SAPKUANA obedeceu ORUNMILÁ dando-lhe graças.

SAPKANA seguiu seu caminho até chegar à terra de DAHOMEY (terra ARARÁ). Nessas terras todos viviam a seu modo, sem acreditar em nada nem em ninguém, nada além do rei. Este acreditava ser Deus absoluto, pois matava e fazia o que lhe vinha na mente.

O rei ao ver chegar SAPKUANA, foi e se ajoelhou diante dele, pedindo-lhe perdão pelo mal que havia feito. Os demais nativos ao ver a atitude do rei, se uniram a este.

OLÓFIN que viu o que estava acontecendo, o consagrou por haver ouvido os conselhos de ORUNMILÁ e mandou uma forte chuva que limpou SAPKUANA de todos os seus males.

Onde ele estava se abriu a terra, produto de uma descarga elétrica, formando-se um buraco onde se enterrou todos os seus males, instalando então o reinado dele na terra de DAHOMEY.

Nota: Por isso, é que ainda que SAKPUANA seja da terra YORUBÁ (LUKUMI), sua grandeza e benfeitorias se deram em DAHOMEY (ARARÁ) por mandado de OLÓFIN, sendo então respeitado e venerado pelos ARARÁS e LUKUMIS.

 

 

Ifá Ni L’Órun

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